segunda-feira, 31 de maio de 2010

Borboleta Organoléptica!

Hoje, pela manhã, vi aquelas borboletas que via quando criança – pouquíssimos sabem dessa história e/ou acreditam nela. Eram três ou duas bem amarelinhas e me surpreenderam no meio do percurso de volta do cursinho. O engraçado é que, em meio a um fato tão corriqueiro, elas conseguiram arrancar um sorriso não só do meu rosto, mas também da minha alma. Fiquei prestes a tropeçar em qualquer buraco da esburacada av. Sete - e seus passeios curtos para um grande trânsito de pessoas! - porque simplesmente passei a só olhar pro céu para tentar acompanhar o lindo vôo daquelas que mais pareciam pedacinhos de papel Crepom amarelo sendo levados pelo vento. Tentativa, é claro, vã... Uma hora elas desapareciam atrás das construções, e do nada, apareciam triunfantes novamente como pra gritar pro mundo a beleza daqueles que são livres. Enfim, nada que minha visão de reles mortal, pudesse acompanhar com maestria.

Mas o que me impressionou mesmo é que é como se elas estivessem sempre comigo ou, mais que isso, dentro de mim. Eu tenho um pouco do colorido e da liberdade daquelas lindas borboletas que, mais uma vez, não deixam eu me sentir só, como estou me sentido agora. Estou vendo tudo lá de cima como elas, pousando em vários lugares e, mais do que tudo, querendo encontrar alguém que possa voar comigo num multicolorido sem fim que não tem nada que ver com asas...

A chave da questão só eu e elas sabemos!

Esse é o nosso segredo desde muito tempo! :x

Como assim, Freud?! ¬¬'

É inevitável não ser previsível em alguns casos porque simplesmente tem certas coisas que são instintivas. Não falo do instinto sujo usado pra justificar atos impensados, mas naquele instinto mesmo de se defender, de se acuar, de utilizar de alguns meios –não necessariamente “baixos”- para preservar o seu lugar no espaço, de criar um exército imaginário em volta de si quando percebe alguma ameaça... Não tem jeito, estudar psicologia é uma arte e tentar entender a cabeça desse povo doido tem um quê de diversão nada igual!

Aí vai uma coisa que vi por aí de Freud e achei genial:

“O extinto do amor para com o objeto amado, exige dominá-lo para obtê-lo. Se uma pessoa sente que não pode controlar o objeto ou se sente ameaçada por ele, ela age negativamente para com ele”

Então... Quando uma pessoa implica, maltrata, fica impaciente, se estressa com qualquer coisinha e outras coisas do gênero, muitas vezes, isso pode ser uma defesa inconsciente levada pelo fato de um indivíduo não poder ter o outro como quer, da forma que deseja, concomitantemente ao ato de amar.

É incrível como isso é real e explica tantas coisas. É vivendo e aprendendo, descobrindo e redescobrindo em nós mesmos essa complexidade que é, ao mesmo tempo que impressionante, ácida – adoro coisas ácidas.

domingo, 30 de maio de 2010

Quereres

Não quero o óbvio. O que, antes de acontecer, já tenho certeza de como vai ser. Não quero estereótipos de pessoas ao lado. Quero pessoas que me façam questionar meus posicionamentos, minha existência , meus achismos. Quero pessoas que renovem minhas esperanças e reacendam o fogo da vontade de acordar todo dia e viver. Tenho facilidade em gostar, mas só amo, no sentido mais profundo, aquelas que eu acredito – e acredito muito. Quero pessoas que eu sei, no meu mais intimo, que podem me surpreender. Não quero meros mocinhos e mocinhas feitos de cristal com palavras sempre belas na boca, não quero sorrisos com ferrugem, não quero pessoas que sejam tudo aquilo que eu sempre quis que fossem, muito pelo contrário, quero que sejam muito mais do que eu quis de um jeito que eu nunca pensei em querer. Quero, no sentido mais amplo, sinceridade... Ainda que torta, feia, desengonçada - a verdade é capaz de trazer luz até os objetos mais cavernosos. Não quero personalidades maquiadas pela vida, animais domesticados para serem o que geralmente a sociedade quer que sejam. Quero o que é hoje é tão difícil de encontrar...

A verdade, a substância, a honestidade, os olhos nos olhos.

Passar por vários 16.06, sem sentir, tinha que ter um motivo! O start, quando tiver de ser executado, assim o será com vontade e com a devida crença na efetivação...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ditadura do menor esforço


Agora virou moda entregar tudo de bandeja. Foi-se o tempo em que a faca e o queijo eram juntos símbolos de facilidade, hoje todos querem muito mais que isso – e, acreditem, encontram quem dê. Há uns anos atrás –época que eu era uma adolescente toda revoltadinha por sinal – já tinha reparado que as pessoas estavam banalizando tudo e que estavam “escancarando” os fatos e os atos demais, mas hoje – sem comparação - isso está muito mais evidente. O que me preocupa é essa tendência absurda de perder o pudor excessivamente que tende piorar a cada dia. Fico tentando pensar em como será a geração dos meus filhos e, sinceramente, desisto logo de início. O modo como os anos caminham não me faz pensar em nada muito promissor, nada que se encaixe muito na minha cabeça que futuramente vai parecer ultra mega power advanced plus arcaica e obsoleta. Em pensar que eu já melhorei tanto, já decidi levar as coisas menos a “ferro e fogo” em tantos aspectos e ainda continuo incomodada com certas coisas que, pra mim, não fazem sentido existir. Não sei pra que tanto apelo sexual na televisão, nas músicas, nas danças, coisas que se vêem por aí a qualquer horário, em qualquer lugar e que inclusive, muitas vezes, são incentivados nos castos ambientes familiares. A libido, o desejo sexual, hoje é visto despertado nas tribos de crianças que, ao invés, de fazerem pseudo-putarias tentando imitar as “tias” da novela e ao “ralarem a tcheca no chão”, deveriam estar brincando. Às vezes, agradeço por ser de uma geração que pegou o É o Tchan com suas metáforas um pouco mais bem feitas (não quero dizer melhores, apesar de ter gostado) que conseguiam enganar as crianças (falo isso, porque eu, pelo menos, não entendia nenhum duplo sentido) que desciam na boquinha da garrafa com total inocência.


E ainda bem que cresci e, aos 18 anos, livre para fazer o que quiser – inclusive, verdadeiras putarias de “gente grande” , danço ao som de todos os pagodes baixo-astrais da nossa ilustríssima Salvador, apelo pro arrocha, “arranho” no funk, e porque não, pra melhorar um pouco a situação do parágrafo, um forró. Mas isso não importa porque agora sou uma adulta, tenho uma cabeça formada, tenho a consciência de vulgaridade, de exposição da minha imagem, tenho a responsabilidade de ter uma reputação a zelar, coisas que, convenhamos, crianças – incluindo os pré-adolescentes que se acham os donos próprio nariz - não se preocupam.


Sou liberal em comparação a algumas mentes que conheço, e, de certa forma, escolhi o ser e considero isso um ato corajoso. Não me preocupo pois, ao mesmo tempo que me permiti brincar mais com as coisas, cresci e amadureci simultaneamente então isso não foi um fator que me estagnasse ou diminuísse. Mas, pra pessoas com menos experiência, isso, em muitos casos, detonam o “passo a passo” que acredito que tenha de fazer parte da vida de cada um. Eu mesma, nessa idade já avantajada, vejo isso com frequencia nas atitudes de meus contemporâneos. NINGUÉM, eu disse NINGUÉM, quer mais nada que imponha dificuldade, nem que seja um pouquinho dela. Quando encontram uma mulher que tenta se preservar, preservar seu corpo, começam logo com falsas ilusões, tentam segurar a vontade de tê-la em algumas ficadas mas, se vê que a coisa realmente pode exigir um pouco mais de engenharia –em outro nome TRABALHO - desistem mesmo antes até de conhecer a pessoa direito. Está virando cultura ser fácil, ser simples demais, ser óbvio demais, como uma piada que de tão CLARA fica SEM GRAÇA. Não se quer mais descobrir o universo do outro, ninguém quer seguir a trilha de cada um, todos querem um atalho. E, na neura do tempo, acabam esquecendo, que se encontrarem o “feeling”, as respostas todas, a chave mestra, tudo pode ser rápido e, com certeza, não menos mágico e gratificante do que se demorasse uma década.


Tempo cronológico nem sempre, é sinônimo de segurança, de amor. É sempre o tempo de cada um que prevalece, o tempo em que você tem o poder de, a partir de situações, experiências, acelerar se quiser, ou não. Parece que as pessoas esqueceram esse tempo e a influencia que tem sobre ele porque elas estão tão preocupadas com o as horas, os minutos e os segundos, que se esquecem de viver um pouco o mundo do companheiro e não conseguem substituir o lado ansioso pelo pensamento de como driblar a complexidade do corpo e da mente humana.


O engraçado mesmo, é ver as pessoas se orgulharem de tão pouco ao sair por aí esbanjando autoconfiança ao confessar quantas mulheres teve no final de semana anterior. Pelo amor de Deus, você acha que elas fizeram isso só com você?! E pelo amor de Deus – de novo – quais dela você, por acaso, precisou, de fato, conquistar?! Não digo que não seja encorajador você ter um número x de mulheres ou homens numa mesma festa mas daí a você se vangloriar por algo que qualquer pessoa com uma roupa bonita, alguns trocados do lanches, economizados diariamente, no bolso, conseguiria... É complicado.


É realmente complicado como fulanos e beltranos se completam com tão pouco e por isso que vejo tanta perda de oportunidade se dando por aí. Não que tudo tenha que dar em casamento ou namoro –não, não é isso mesmo- mas sim a perda de oportunidades de viver coisas que não só alimentem o corpo mas também a alma e o espírito.


Poucos e poucas hoje sabem ser sensuais sem serem vulgares. Ou não se explicita nada, ou se explicita tudo, o tempo todo, fala-se em safadeza – safadeza no sentido não pejorativo, vale frisar - a toda hora como auto-afirmação. Sexo não é pra ser falado – a menos que você seja um autor de conto erótico e ganhe por isso – e sim pra ser vivido e desempenhado dentro das famosas quatro paredes- sejam elas reais ou imaginárias- onde ninguém esteja vendo já que é algo que diz respeito a dois, que, como dizem por aí, são “um” naquele momento.


Vamos parar de falar e procurar fazer, de querer o pouco, o fácil e o simples o tempo inteiro. Instalou-se a ditadura do menor esforço e estão esquecendo como é bom conquistar algo que, no início, parecia impossível conseguir.

Tenho andado meio “Viniciniana”

A liberdade é algo muito relativo, cada um tem sua concepção conectada inclusive com a própria vida. Não acho inteligente querer definir o que é liberdade e, muito menos, estou procurando algum conceito para ver se, por um acaso, me incluo. Até porque a vida é uma roda gigante, é difícil adquirir uma liberdade constante, certinha, facil de ser caracterizada e descrita.

Vou confessar que eu já me senti livre. Já vivi aquela sensação boa de não estar presa a nada, a ninguém, a idéia nenhuma, a conceito nenhum, de forma que, simplesmente, o que tivesse de ser, seria. Mas também, muitas vezes, me senti presa e, o pior, muitas vezes me prendi por opção porque estava indiretamente presa a uma idéia preconcebida, estava presa ao meu próprio sentimento e até a minha própria cabeça.

Hoje, não só me pego fazendo isso com menos freqüência, como também evito, ao máximo, porque sei que isso não leva e nunca levou ninguém a lugar algum. Por mais bonito e heróico que seja você se prender a uma situação em nome de um bem maior qualquer, eu, sinceramente, não faço questão de tal coisa, prefiro ser uma fraca, medrosa e ser feliz do que perder tamanha energia física e emocional batendo numa tecla que talvez nunca funcione mais.

As coisas mudam, as pessoas mudam, sua visão sobre tudo muda, é traumático – e como é – mas a vida é assim, não tem jeito. Apesar disso, ainda não acho que acreditar que as coisas podem ser pra sempre seja uma utopia. Pode ser que as coisas durem, principalmente se cada um se permitir mudar, aprender, reaprender, compreender os outros, dançar a dança da vida e improvisar quando alguém erra um passo.

Estou, no entanto, um pouco desmotivada de tal vontade. Estou pensando um pouco como Vinícius de Morais e ando exigindo menos dos outros o que, às vezes, nem podem me dar, não interpreto mais um “fim” como motivo de dor mas sim como uma possibilidade de me surpreender e me tornar uma pessoa melhor e, quem sabe – prefiro acreditar nisso – mais feliz.

Para que sustentar uma relação, seja ela qual for, em que só existem mágoas, cobranças, se as pessoas não se entendem, não confiam mais umas nas outras?! Entendo que cada um tenha sua beleza, seu diferencial, e que existam, inclusive, aquelas que façam você ter vontade de viver a vida toda ao lado mas, se as coisas não dão mais certo, não faz sentido insistir. Querer continuar insistentemente pode ocasionar uma ruptura na amizade, na consideração, no carinho, no respeito e aí já começa a ser um ato impensado e até, porque não, burro.

Vinícius teve antes de 9 mulheres, 9 amigas e isso pra mim é admirável. Continuar uma relação para mostrar pra sociedade que ela ainda existe, não vale a pena, não completa ninguém. O que vale é a felicidade, no caso, de ambos. Se o amor acabou que venha a saudade e a deliciosa lembrança dos bons momentos, é isso que vale, é isso que a gente leva da vida. Não são os contratos sociais, os patrimônios e a opinião dos outros – que convenhamos, não tem o que fazer e ficam cuidando da vida alheia invés de se ocupar com os próprios problemas.

Preciso então, usar um neologismo e dizer que estou um pouco “Viniciniana” e faço das palavras dele as minhas:

” Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

As convicções estragam os sentimentos verdadeiros... Acredite na eternidade, mas se ela não vier, o amor acabar, a relação não der certo, acredite com muito mais fervor na imortalidade dos sentimentos que vai adquirir ao acabar um relacionamento sem brigas, ódio, sem rancor, sem traição, sem mal caratismo...

E pra terminar um pequeno trecho de profunda identificação:

"Vinicius, já encantado por ela, aproveita para se aproximar:

- O que está havendo contigo, menina? - pergunta numa intromissão repentina nas divagações da moça. Tem que ouvir a resposta que mais desejaria ouvir, mas que menos poderia esperar:

- Não sei bem, ela diz - mas acho que estou apaixonada por você".

(págs. 237-8 de Vinicius de Moraes: o poeta da paixão — uma biografia, de José Castello (Companhia das Letras, 1994).

domingo, 23 de maio de 2010

De uma resenha com a preta

Descobri que é verdade que ninguém fica só. Por mais complexas e confusas que as pessoas e os fatos sejam, tudo sempre se encaixa em algo, e mesmo sendo anacrônico, mesmo que pareça impossível, tudo, uma hora, sempre faz sentido. Não pode é se desesperar quando parece que simplesmente é inútil ser verdadeira, amiga, intensa, parceira, incapaz de magoar alguém, de fazer mal a uma mosca sequer. Não deve se desesperar quando as pessoas mais erradas sobem com louvor ao altar de véu e grinalda e tem direito a festa, valsa, arroz, doces e quitutes. Nada disso importa porque isso não é prova de nada, já que essas pessoas em 99% dos casos não vão conhecer o que é felicidade no seu extremo. Vão saber sim o que é felicidade iludida por interesses não saudáveis e facilmente compráveis, o que não deixa de ser felicidade, mas não é uma felicidade gostosa de ter e nem a que pessoas lindas por dentro merecem. Muitos que chegaram nessa parte da leitura,devem estar pensando que realmente achar que compromisso e casamento não têm um quê de interesse por trás é estar sustentando uma ilusão. E, quer saber de uma coisa?! Eu também acho. Sempre existe interesse pela beleza, pelo corpo, pelo dinheiro, pelo nível de instrução... Oras, temos uma sociedade com seus valores culturais, isso pode ser motivo de interesse imediato sim – e, na grande maioria das vezes é – mas isso não pode predominar sobre a valorização do caráter, da honestidade e, acima de qualquer coisa, da verdade. As pessoas são o que querem quando precisam e se iludem achando que podem sustentar isso por uma vida. Fazer sexo por fazer, beijar por beijar, estar com uma pessoa do lado que não te acrescenta em nada - foi apenas um alvo fácil e de boa aparência que alguém encontrou pra se exibir por aí – Me poupe, mas isso é quase uma prostituição. E, a menos que a pessoa aprenda a gostar da outra – menor probabilidade- ela estará fadada a uma relação de farsa pelo resto da vida. Terceirização de carinhos, declarações que se fazem por meio de presentes caros e pomposos, atenção que se dá por meio de um motorista 24 horas ou orgulho de ter uma mulher apenas bonita – no caso dos homens mesmo, já que geralmente ELES que fazem isso – pra mostrar pra sociedade ao mesmo tempo em que tem um monte de putas na rua enquanto a boneca merecidamente – já que também foi culpada por se submeter a isso- é entupida de AIDS a cada relação sem camisinha que tem com o suposto “mecenas”, são coisas que, sinceramente não me fazem inveja e não deveria fazer a mulher alguma.
Portanto, é preciso ter paciência e acreditar que existem pessoas que te merecem por aí. Não adianta se revoltar se, por acaso, você, por vários motivos comprovados, é mulher pra casar e está literalmente ENCALHADA...
Eu garanto que o problema não está em você. Está no fato de você ser verdadeira demais, em você saber a espécie de mulher que é e não se prestar a ficar com qualquer vagabundo de cara limpa que queira namorar com você, simplesmente por namorar.
Parece que você é racional demais, exigente demais... Enquanto, na verdade, é o contrário... Ouve seu coração demais e sabe que não é isso que quer, embora seja o mais fácil, o mais simples. Namorar, casar, não é só o acordo que se quer, e sim a verdadeira essência e o espírito disso.

Falando um pouco de mim

Não sei se é uma visão de quem tá ficando velha, mas tenho sido menos exigente comigo, com os fatos, com o mundo, com as pessoas. Tenho conseguido me estressar menos, aliás, bem menos. Só me tira do sério quem eu gosto – e gosto muito. E assim vou vivendo me orgulhando de ser simplesmente como eu sou, de ter os amigos que tenho – por mais que sejam poucos – e dos pais que, apesar dos pesares, são maravilhosos. Tenho ficado menos triste e mais feliz por conseqüência. E sempre quando sinto que a tristeza vai me pegar penso nas coisas boas que tenho e que não tenho também, mas posso conquistar. Tenho me preenchido com exemplos, com tudo aquilo que não se sabe explicar de onde veio, mas que existem tão lindamente. Ficaria vinte e quatro horas olhando o mar sem sentir, olhando pro céu e tentando contar suas incontáveis estrelas para chegar milhões de vezes a mesma conclusão do quanto o antropocentrismo é falho e burro diante da imensidão do céu e do mar – é meio meloso, mas é verdade! Ficaria uma tarde inteira brincando com uma criança ou sentada fazendo carinho em Tux. Não estou precisando mais de tantas coisas, sentar numa mesa de bar, com álcool ou sem álcool – mas com álcool é melhor- e ficar conversando com meus amigos já me traz uma alegria que é insubstituível, que não trocaria por nenhuma outra. Tenho estado mais serena, querendo dominar um pouco menos as coisas. Ando fazendo a minha parte, plantando amor, colhendo o amor que um dia plantei...
Ando meio idosa, orgulhosa dos netos que não tenho, da família que não construí, do patrimônio que inexiste, ando meio pirralha querendo descobrir novas coisas, me impressionando com coisas simples como o miado de um gato – tá, também não é pra tanto, mas é quase isso – e ando meio adolescente/adulta cheia de vontade, sonhos e principalmente garra e força de vontade pra vencer. Ando menos cheia de frescura, ando mais determinada das coisas que quero, crente do que preciso... Mas, principalmente, ando deixando a felicidade me pegar de jeito em todas as oportunidades em que ela se apresenta... Claro, sem que minha felicidade custe a tristeza de ninguém, já que não conseguiria ser feliz assim.
Tenho estado plena... Ando vivendo sutil e delicadamente como o dançar de uma bailaria.

O mundo de dentro é maior do que o mundo lá de fora!

Sensibilidade a sons, formas, texturas, cores,cheiros... O mundo que se cultiva dentro de um “eu” é o mundo que só faz sentido se visto sob uma ótica detalhada e minuciosa. Cada coisinha constrói, pouco a pouco, um mundo que custa e resiste a ser destruído pelos efeitos inevitáveis do tempo e das mudanças trazidas pelo próprio. Não somente as pessoas mas as próprias coisas, a própria energia que se transmite por um único pensamento, se encarregam de te remeter a alguém, a alguma coisa... O engraçado hoje é que as pessoas fogem, o tempo inteiro, do entendimento de si mesmas e do outro e acreditam –realmente acreditam- que podem ter uma segurança em ter alguém recorrendo a aspectos tão fúteis ou, até mesmo, seguindo supostas regras, normas de condutas, livros de auto-ajuda, coisas do gênero...
É cíclico, não se conhecem e, por isso, nunca poderão conhecer o outro. Quantos são os poréns, os motivos que levam cada um a fazer uma coisa, a história de vida, fatos que interferem em toda uma construção de personalidade e refletem no comportamento de cada um. Há quem acredite que é perda de tempo se conhecer ou tentar o fazer. Eu já acredito que as coisas perdem a beleza quando a pessoa não sabe quem é, o que quer e não tenta descobrir o porque de estar aqui nesse mundão de Deus... E acredite, isso já é um começo para o auto-conhecimento.
Cada coisa tem muito de ponto de vista. Ou você se entrega a uma mera visão padronizada e previsível de tudo e todos ou você mete a mão na massa e tenta entender e participar do universo do outro para, aí então, poder julgar. Não faço apologia ao entendimento exacerbado já que saber demais também é prejudicial, mas sim a verdadeira vontade de conhecer as pessoas com quem está do lado, conhecer o âmago delas, não viver de suposições. Na vida a pessoa sempre tem opções várias, e em todas as situações, mesmo nas mais tristes e catastróficas você pode ver luz se quiser: Uma possibilidade de aprendizagem talvez, uma chance de cair pra se erguer mais forte.
Nada é perfeito, não existiria a felicidade se não houvesse a tristeza. Tudo é muito mais do pode parecer, navegar dentro de si mesmo também é preciso, desbravar os sete mares por mais tenebroso e arriscado que possa parecer. As coisas fazem mais sentido, e se corta pela raiz a idéia de que “todo homem é igual”, “mulher é tudo a mesma coisa, só muda de endereço” já que todos sabemos que não é assim como disse um amigo meu: Se homem é tudo igual, porque mulher escolhe tanto?! Então, deixemos de lado a preguiça, vamos viver de substância, de intensidade, de verdade, vamos nos estressar com o que verdadeiramente importa já que não há tempo a ser perdido. Abra a cabeça!

O mundo é grande e curioso?


Nós somos muito mais.