sábado, 12 de junho de 2010

Tudo que tava engasgado

Quando eu te quis,você não só não me quis como também não se importou com o que eu sentia. Quando me tinha nas mãos, quando o meu sentimento era cego, puro, você fez com que fosse platônico, fez com que eu me sentisse a mais terrível de todas as criaturas enquanto não devia. Há quem diga – e até e mesma me convenci disso – que sua renúncia, sua indiferença, era apenas honestidade... Coisa que uma pessoa que não quer um alguém faz para não machucá-lo. Hoje vejo que isso é uma justificativa tola para uma fraqueza que você sentia por dentro, uma incapacidade de assumir e encarar as coisas tais como são. Justo eu que não corria atrás, justo eu que não importunava, não exigia, não implorava, apenas fazia um esforço para esquecer tentando lembrar. E a cada palavra não dita, a cada diálogo deixado de lado vencido pelo seu orgulho, eu ia me ensinando que era melhor a vida sem você, ensinando que tudo era coisa da minha cabeça, uma coisa que eu criei para mim, uma coisa que eu me convenci e que, por isso, quis durante cada segundo por muito tempo da minha vida.

O tempo passou, conheci outras pessoas, aprendi novas lições, vivi verdadeiros altos e baixos, e o engraçado era que você tava sempre comigo, dentro do meu coração independente de onde eu fosse,quem conhecesse, independente dos fatos, dos ganhos, das perdas. Te tinha aqui dentro, mas já te tratava como uma lembrança boa, uma chama de esperança semi-apagada, e assim fui vivendo. Vivi, conheci e me permiti. Me ative aos fatos pra não transformar o sentimento em doença e aprendi a maior de todas as lições da minha vida: Viver de amor não basta. Aprendi a valorizar muito mais coisas, aprendi a perceber que a gramática e a literatura tem um valor muito maior que a química e a física de um relacionamento. Que os beijos são muito mais intensos se existe história, se existe companheirismo, se existe uma via de mão dupla, se existe consideração, carinho, respeito e, acima de qualquer coisa, vontade de que tudo dê certo.

Aprendi que certas relações não dão certo sem determinados pilares. O amor?! Ah, o amor ele continua existindo porque definitivamente não precisamos de motivos palpáveis para amar e, muito menos,para desamar. Você amar alguém dentre milhares de pessoas no mundo porque ela estava na hora certa, do jeito certo, falando e fazendo as coisas certas é o que acontece com quase todo mundo direta ou indiretamente e é tão arriscado e bom, ao mesmo tempo, que ninguém pára para pensar. Acho que te amei, e aprendi muito com esse sentimento pelo qual você tem, quer queira quer não, mérito. Nada aconteceu como quis, como esperei. Você não fez o que era pra ser feito e não me deu motivos para eu fazer algo para que tudo acontecesse – enquanto eu dava todos os motivos do mundo.

E hoje, muito tempo depois, te vejo tão frágil, tão necessitado daquilo que eu sempre quis te dar naquela época em que todos os seus defeitos eram contornáveis e seus erros compreendidos. Hoje te vejo triste, te vejo fraco, te vejo sofrendo por algo que não pode ser facilmente mudado, sedento de coisas substanciais, de amores, de sonhos.Hoje te vejo, mais do que tudo, arrependido... Acordando do mundinho pequeno em que achou que suas atitudes não teriam conseqüências.

Hoje você me quer, hoje você me vê como possibilidades mas eu já não quero. Sinto vontade de ajudar porque gosto e não queria te ver sofrer, mas não te quero mais. Acho que você teve tudo que precisava na mão para me ter e nunca se importou com isso e preferiu me ignorar achando que me faria mais apaixonada. Infelizmente eu não posso reconstruir aquela vontade de te ter, nem posso recuperar todas as lágrimas que chorei, nem todas as horas que perdi pensando em você, no que você fez e não fez.

Nunca quis seu mal e continuo gostando de você mas não da mesma forma. Acredito encontrar sim alguém que me faça feliz, alguém que eu possa fazer feliz. Hoje eu sei que essa pessoa não é você. Tomei qualquer tipo de resistência a inércia, a certos tipos de posturas e de jogos amorosos baseados no trauma. Tomei resistência a quem não olha nos olhos, a quem não procura estar junto, a quem não quer saber como você se sente, como você pensa, o que você quer da vida. Hoje quero outras coisas, outros caras, tenho outros sonhos e planos. Quero um relacionamento de muito amor mas não só disso, quero alguém que me queira pelo que eu sou, pelo o que eu represento, não alguém que se apegue a características soltas para forçar um orgulho que deveria ser natural. Olhar pra alguém e por algum motivo segurar a mão e dizer: Essa é a minha mulher, minha amiga, minha companheira, minha enamorada!

Ando precisando de pessoas que me desafiem, que não façam tudo igual, que dominem ao mesmo tempo em que permitem ser dominadas. Certas lições eu não acredito mais que eu possa ensinar para alguém. E, por esse motivo, você merece uma pessoa melhor que eu, uma pessoa que te queira, que lute por você e que te mostre que a vida é cheia de beleza, cheia de oportunidades... Eu não tenho mais força para fazer isso, não contigo.

Para outras coisas que não se baseiem no compromisso diário, estarei aqui sempre pro que precisar – assim como sempre estou para todos que gosto- mesmo sabendo que o orgulho jamais permitirá você me chamar.

Beijos eternos,

Da menina para o menino ;*

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Bloco do eu sozinho!

Me descobri chorando e, como sempre faço, sentei para conversar comigo mesma. Eu lembrava da ultima vez de tantas vezes que tinha me visto assim. Parecia uma criança de rua, em meio a chuva, com frio, com fome e sem saber qual seria o dia de amanhã. Eu estava me sentindo desprotegida mais uma vez, reflexo de uma carência que sempre senti, de uma vontade que fica, a cada dia, mais difícil de ser adiada. Depois de mais uma vez ter me decepcionado eu via mais uma daquelas lágrimas que mais pareciam apelos de tão sinceras que eram, oriundas de um sentimento tão profundo. Não tinha nada que ser dito, me abracei, me fiz carinho e tentei explicar, pra mim mesma, que se o príncipe virou sapo mais uma vez, se o sonho virou pó, se a esperança de ter encontrado algo diferente se desfez e se o alicerce não cumpriu seu dever quando deveria, era porque não tinha que ser. Expliquei pra mim mesma que se eu mesma podia ser coerente com tudo, ser honesta e sincera, porque um outro alguém não seria?! Fiquei alguns minutos calada esperando eu mesma digerir todas aquelas reflexões, até eu rir. Me vi rindo, entendendo que a vida é isso, que a vida é a arte do encontro... E desejei pra mim mesma, “espero que dentre tantos sapos você encontre o seu príncipe ( tá certo que ele não será o mais perfeito, até porque ninguém é perfeito) mas será o seu príncipe pois só NÓS sabemos o quanto você merece isso”.

“E, hoje em dia, como é que se diz eu te amo? (...) Vamos fazer um filme?” Legião Urbana

Errar deve ser mesmo humano

Me deparei com uma pessoa falha no espelho. Uma pessoa que faz besteira e, por vezes, se queima em prol de uma coisa que não sabe até onde vai ser boa. Não sei, sinceramente, para que diabos serve a sensibilidade hoje em dia. Deveriam criar uma dessas armaduras de aço estilo Iron Man para todo mundo, olhos computadorizados, coisas do gênero, e a parte do cérebro que fica responsável por transmitir essas malditas ”informações” deveria se tornar algo vestigial. Na verdade, acho que isso deveria acontecer com a pessoa que aqui vos escreve, me descobri uma pessoa que não sabe lidar com impulsos, sentimentos e emoções... E to vendo que isso é um problema, e sério.

Ando passando por uma crise em que não estou conseguindo mais separar o sentimento da razão de modo que tudo, no fim, é sempre resultado do que eu sinto. Antes era exímia quanto a cálculos comportamentais, hoje sou um verdadeiro fracasso. Não consigo mais usar minha sensibilidade em prol dos meus interesses – não necessariamente somente meu, mas pelo menos um pouco - e acabo, muitas vezes, perdendo muitas coisas por assustar pessoas que não entendem a minha pretensão e os meus motivos.

Descobri que tenho agido impulsivamente quando vejo que uma coisa não vai dar bem. Com freqüência esqueço que nem sempre é bom avisar, alertar, brigar, e falar redundantemente – pra que a pessoa entenda e não faça o que eu tenho medo que faça. Tem certas coisas que embora pareçam claras é melhor que não sejam ditas, é melhor que fiquem no silêncio, ou num olhar que o outro tem a opção de interpretar ou não...

Hoje não consigo mais esconder uma palavra qualquer, não consigo esconder quando eu estou redondamente apaixonada por alguém, não consigo esconder quando não gosto de uma pessoa, quando estou triste ou alegre. Tenho uma necessidade gritante de compartilhar o que se passa dentro de mim... Os maus pressentimentos, os medos, as alegrias, as dores, o que eu aprendi, onde errei.

Estou ficando, a cada dia, mais esperta e, ao mesmo tempo, mais burra. Acho que de tanto procurar, nas pessoas, o que elas são... Acabei tornando o meu Eu mais evidente. E ando fazendo burradas... Desde os meus 15 anos eu vejo quem não presta se dar bem, e quem vale algo viver chorando pelos cantos e, acredite ou não, não quero ser um desses que fica pelos cantos.

Tenho que aprender a usar oque tenho de bom e nobre não apenas por usar e ajudar os outros mas também ao meu favor. Maniqueísmo nem sempre é, no período de uma vida, real. Até os bons – chamo de bons aqueles que não se utilizam meios baixos pra conquistar um objetivo quaisquer e, portanto, fazem o bem – tem que ser inteligentes pra continuar sendo bons.

Por enquanto vou ali comprar uma camisa de força pra evitar agir de acordo com a vontade que tenho, de acordo com o que sinto que devo fazer... Ah, e vou evitar álcool também – ele é uma merda quando a gente não tá devidamente controlada.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Terceira pessoa do singular

Ela, desde pequena, escolheu que queria escolher – e sim, isso é uma escolha! Escolheu que queria, criteriosamente, escolher quem casaria, quem seria amiga, o que seria por dentro, e para quem daria o seu coração. Entendeu duramente que, para escolher, ela teria que, acima de qualquer coisa, se conhecer de modo bastante profundo e equivalente a seriedade das suas escolhas. Entendeu que o pior de tudo não era saber o que queria e, dentre tantas milhões de coisas e pessoas, escolher uma ou algumas, mas sim era o peso de negar várias oportunidades, vários caminhos que se apresentam em inúmeras bifurcações e que tinham que ser negados em prol do ato de seguir em frente.

Muita gente indagou a essa menina do porque de tanta determinação, de tanta garra e inteligência com os sentimentos... Muita gente não entendeu porque ela recusava chorar quando a situação praticamente EXIGIA isso. O que acontece é que essa menina percebeu desde cedo que a felicidade tem seu preço, que nada cai do céu e sabia que não tinha tempo a perder. E, quando seu coração tava destruído por ter, mais uma vez, uma esperança despedaçada, ela se preparava para uma nova situação e se tornava, cada vez mais, uma pessoa melhor.

Ela entendeu que os melhores beijos, as carícias, os abraços mais fortes e sinceros tinham que ser dados para quem fosse merecedor de tais coisas, não para quem não soubesse reconhecer a importância disso, pra um “qualquer” em outras palavras.

Foi mal interpretada inúmeras vezes porque não banalizou os SEUS sentimentos com alguém que se disse merecedor deles. Teve seu âmago visto por pouquíssimas pessoas – o que estranho se tratando de alguém tão transparente - que tomou isso como um teste: Começou a valorizar quem, em meio a tantas pessoas, fosse capaz de QUERER saber, QUERER conquistar, QUERER invadir e assim, estar, conhecer e amar. Quem estivesse disposto ou até, quem diria, viciado nesse game onde ir passando as fases nunca teve premiações tão válidas e marcantes.

Embora ela não precisasse de muito pra viver, e se contentasse com tantas coisas... No quesito felicidade ela era exigente a ponto de negar o “tanto faz” e sofrer todos os danos dessa ESCOLHA.

Ela não sabe até hoje se fez o certo, mas está consciente de que escolheu ser o que é baseado em pilares concretos e, até hoje, nunca se arrependeu de nenhuma das poucas escolhas que fez... E continua escolhendo!

~* Leva amor pro mundo, mas o seu amor, o que vem de dentro do seu peito e que traz consigo palavras como lealdade, companheirismo e intensidade, só a poucos pertencem, só a poucos pertencerão.

Obs: Não é muito racional, o retorno é em longo prazo, mas que é um método eficaz é. Desvia-se bastante do que não presta... Pena que não é fácil.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Borboleta Organoléptica!

Hoje, pela manhã, vi aquelas borboletas que via quando criança – pouquíssimos sabem dessa história e/ou acreditam nela. Eram três ou duas bem amarelinhas e me surpreenderam no meio do percurso de volta do cursinho. O engraçado é que, em meio a um fato tão corriqueiro, elas conseguiram arrancar um sorriso não só do meu rosto, mas também da minha alma. Fiquei prestes a tropeçar em qualquer buraco da esburacada av. Sete - e seus passeios curtos para um grande trânsito de pessoas! - porque simplesmente passei a só olhar pro céu para tentar acompanhar o lindo vôo daquelas que mais pareciam pedacinhos de papel Crepom amarelo sendo levados pelo vento. Tentativa, é claro, vã... Uma hora elas desapareciam atrás das construções, e do nada, apareciam triunfantes novamente como pra gritar pro mundo a beleza daqueles que são livres. Enfim, nada que minha visão de reles mortal, pudesse acompanhar com maestria.

Mas o que me impressionou mesmo é que é como se elas estivessem sempre comigo ou, mais que isso, dentro de mim. Eu tenho um pouco do colorido e da liberdade daquelas lindas borboletas que, mais uma vez, não deixam eu me sentir só, como estou me sentido agora. Estou vendo tudo lá de cima como elas, pousando em vários lugares e, mais do que tudo, querendo encontrar alguém que possa voar comigo num multicolorido sem fim que não tem nada que ver com asas...

A chave da questão só eu e elas sabemos!

Esse é o nosso segredo desde muito tempo! :x

Como assim, Freud?! ¬¬'

É inevitável não ser previsível em alguns casos porque simplesmente tem certas coisas que são instintivas. Não falo do instinto sujo usado pra justificar atos impensados, mas naquele instinto mesmo de se defender, de se acuar, de utilizar de alguns meios –não necessariamente “baixos”- para preservar o seu lugar no espaço, de criar um exército imaginário em volta de si quando percebe alguma ameaça... Não tem jeito, estudar psicologia é uma arte e tentar entender a cabeça desse povo doido tem um quê de diversão nada igual!

Aí vai uma coisa que vi por aí de Freud e achei genial:

“O extinto do amor para com o objeto amado, exige dominá-lo para obtê-lo. Se uma pessoa sente que não pode controlar o objeto ou se sente ameaçada por ele, ela age negativamente para com ele”

Então... Quando uma pessoa implica, maltrata, fica impaciente, se estressa com qualquer coisinha e outras coisas do gênero, muitas vezes, isso pode ser uma defesa inconsciente levada pelo fato de um indivíduo não poder ter o outro como quer, da forma que deseja, concomitantemente ao ato de amar.

É incrível como isso é real e explica tantas coisas. É vivendo e aprendendo, descobrindo e redescobrindo em nós mesmos essa complexidade que é, ao mesmo tempo que impressionante, ácida – adoro coisas ácidas.

domingo, 30 de maio de 2010

Quereres

Não quero o óbvio. O que, antes de acontecer, já tenho certeza de como vai ser. Não quero estereótipos de pessoas ao lado. Quero pessoas que me façam questionar meus posicionamentos, minha existência , meus achismos. Quero pessoas que renovem minhas esperanças e reacendam o fogo da vontade de acordar todo dia e viver. Tenho facilidade em gostar, mas só amo, no sentido mais profundo, aquelas que eu acredito – e acredito muito. Quero pessoas que eu sei, no meu mais intimo, que podem me surpreender. Não quero meros mocinhos e mocinhas feitos de cristal com palavras sempre belas na boca, não quero sorrisos com ferrugem, não quero pessoas que sejam tudo aquilo que eu sempre quis que fossem, muito pelo contrário, quero que sejam muito mais do que eu quis de um jeito que eu nunca pensei em querer. Quero, no sentido mais amplo, sinceridade... Ainda que torta, feia, desengonçada - a verdade é capaz de trazer luz até os objetos mais cavernosos. Não quero personalidades maquiadas pela vida, animais domesticados para serem o que geralmente a sociedade quer que sejam. Quero o que é hoje é tão difícil de encontrar...

A verdade, a substância, a honestidade, os olhos nos olhos.

Passar por vários 16.06, sem sentir, tinha que ter um motivo! O start, quando tiver de ser executado, assim o será com vontade e com a devida crença na efetivação...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ditadura do menor esforço


Agora virou moda entregar tudo de bandeja. Foi-se o tempo em que a faca e o queijo eram juntos símbolos de facilidade, hoje todos querem muito mais que isso – e, acreditem, encontram quem dê. Há uns anos atrás –época que eu era uma adolescente toda revoltadinha por sinal – já tinha reparado que as pessoas estavam banalizando tudo e que estavam “escancarando” os fatos e os atos demais, mas hoje – sem comparação - isso está muito mais evidente. O que me preocupa é essa tendência absurda de perder o pudor excessivamente que tende piorar a cada dia. Fico tentando pensar em como será a geração dos meus filhos e, sinceramente, desisto logo de início. O modo como os anos caminham não me faz pensar em nada muito promissor, nada que se encaixe muito na minha cabeça que futuramente vai parecer ultra mega power advanced plus arcaica e obsoleta. Em pensar que eu já melhorei tanto, já decidi levar as coisas menos a “ferro e fogo” em tantos aspectos e ainda continuo incomodada com certas coisas que, pra mim, não fazem sentido existir. Não sei pra que tanto apelo sexual na televisão, nas músicas, nas danças, coisas que se vêem por aí a qualquer horário, em qualquer lugar e que inclusive, muitas vezes, são incentivados nos castos ambientes familiares. A libido, o desejo sexual, hoje é visto despertado nas tribos de crianças que, ao invés, de fazerem pseudo-putarias tentando imitar as “tias” da novela e ao “ralarem a tcheca no chão”, deveriam estar brincando. Às vezes, agradeço por ser de uma geração que pegou o É o Tchan com suas metáforas um pouco mais bem feitas (não quero dizer melhores, apesar de ter gostado) que conseguiam enganar as crianças (falo isso, porque eu, pelo menos, não entendia nenhum duplo sentido) que desciam na boquinha da garrafa com total inocência.


E ainda bem que cresci e, aos 18 anos, livre para fazer o que quiser – inclusive, verdadeiras putarias de “gente grande” , danço ao som de todos os pagodes baixo-astrais da nossa ilustríssima Salvador, apelo pro arrocha, “arranho” no funk, e porque não, pra melhorar um pouco a situação do parágrafo, um forró. Mas isso não importa porque agora sou uma adulta, tenho uma cabeça formada, tenho a consciência de vulgaridade, de exposição da minha imagem, tenho a responsabilidade de ter uma reputação a zelar, coisas que, convenhamos, crianças – incluindo os pré-adolescentes que se acham os donos próprio nariz - não se preocupam.


Sou liberal em comparação a algumas mentes que conheço, e, de certa forma, escolhi o ser e considero isso um ato corajoso. Não me preocupo pois, ao mesmo tempo que me permiti brincar mais com as coisas, cresci e amadureci simultaneamente então isso não foi um fator que me estagnasse ou diminuísse. Mas, pra pessoas com menos experiência, isso, em muitos casos, detonam o “passo a passo” que acredito que tenha de fazer parte da vida de cada um. Eu mesma, nessa idade já avantajada, vejo isso com frequencia nas atitudes de meus contemporâneos. NINGUÉM, eu disse NINGUÉM, quer mais nada que imponha dificuldade, nem que seja um pouquinho dela. Quando encontram uma mulher que tenta se preservar, preservar seu corpo, começam logo com falsas ilusões, tentam segurar a vontade de tê-la em algumas ficadas mas, se vê que a coisa realmente pode exigir um pouco mais de engenharia –em outro nome TRABALHO - desistem mesmo antes até de conhecer a pessoa direito. Está virando cultura ser fácil, ser simples demais, ser óbvio demais, como uma piada que de tão CLARA fica SEM GRAÇA. Não se quer mais descobrir o universo do outro, ninguém quer seguir a trilha de cada um, todos querem um atalho. E, na neura do tempo, acabam esquecendo, que se encontrarem o “feeling”, as respostas todas, a chave mestra, tudo pode ser rápido e, com certeza, não menos mágico e gratificante do que se demorasse uma década.


Tempo cronológico nem sempre, é sinônimo de segurança, de amor. É sempre o tempo de cada um que prevalece, o tempo em que você tem o poder de, a partir de situações, experiências, acelerar se quiser, ou não. Parece que as pessoas esqueceram esse tempo e a influencia que tem sobre ele porque elas estão tão preocupadas com o as horas, os minutos e os segundos, que se esquecem de viver um pouco o mundo do companheiro e não conseguem substituir o lado ansioso pelo pensamento de como driblar a complexidade do corpo e da mente humana.


O engraçado mesmo, é ver as pessoas se orgulharem de tão pouco ao sair por aí esbanjando autoconfiança ao confessar quantas mulheres teve no final de semana anterior. Pelo amor de Deus, você acha que elas fizeram isso só com você?! E pelo amor de Deus – de novo – quais dela você, por acaso, precisou, de fato, conquistar?! Não digo que não seja encorajador você ter um número x de mulheres ou homens numa mesma festa mas daí a você se vangloriar por algo que qualquer pessoa com uma roupa bonita, alguns trocados do lanches, economizados diariamente, no bolso, conseguiria... É complicado.


É realmente complicado como fulanos e beltranos se completam com tão pouco e por isso que vejo tanta perda de oportunidade se dando por aí. Não que tudo tenha que dar em casamento ou namoro –não, não é isso mesmo- mas sim a perda de oportunidades de viver coisas que não só alimentem o corpo mas também a alma e o espírito.


Poucos e poucas hoje sabem ser sensuais sem serem vulgares. Ou não se explicita nada, ou se explicita tudo, o tempo todo, fala-se em safadeza – safadeza no sentido não pejorativo, vale frisar - a toda hora como auto-afirmação. Sexo não é pra ser falado – a menos que você seja um autor de conto erótico e ganhe por isso – e sim pra ser vivido e desempenhado dentro das famosas quatro paredes- sejam elas reais ou imaginárias- onde ninguém esteja vendo já que é algo que diz respeito a dois, que, como dizem por aí, são “um” naquele momento.


Vamos parar de falar e procurar fazer, de querer o pouco, o fácil e o simples o tempo inteiro. Instalou-se a ditadura do menor esforço e estão esquecendo como é bom conquistar algo que, no início, parecia impossível conseguir.

Tenho andado meio “Viniciniana”

A liberdade é algo muito relativo, cada um tem sua concepção conectada inclusive com a própria vida. Não acho inteligente querer definir o que é liberdade e, muito menos, estou procurando algum conceito para ver se, por um acaso, me incluo. Até porque a vida é uma roda gigante, é difícil adquirir uma liberdade constante, certinha, facil de ser caracterizada e descrita.

Vou confessar que eu já me senti livre. Já vivi aquela sensação boa de não estar presa a nada, a ninguém, a idéia nenhuma, a conceito nenhum, de forma que, simplesmente, o que tivesse de ser, seria. Mas também, muitas vezes, me senti presa e, o pior, muitas vezes me prendi por opção porque estava indiretamente presa a uma idéia preconcebida, estava presa ao meu próprio sentimento e até a minha própria cabeça.

Hoje, não só me pego fazendo isso com menos freqüência, como também evito, ao máximo, porque sei que isso não leva e nunca levou ninguém a lugar algum. Por mais bonito e heróico que seja você se prender a uma situação em nome de um bem maior qualquer, eu, sinceramente, não faço questão de tal coisa, prefiro ser uma fraca, medrosa e ser feliz do que perder tamanha energia física e emocional batendo numa tecla que talvez nunca funcione mais.

As coisas mudam, as pessoas mudam, sua visão sobre tudo muda, é traumático – e como é – mas a vida é assim, não tem jeito. Apesar disso, ainda não acho que acreditar que as coisas podem ser pra sempre seja uma utopia. Pode ser que as coisas durem, principalmente se cada um se permitir mudar, aprender, reaprender, compreender os outros, dançar a dança da vida e improvisar quando alguém erra um passo.

Estou, no entanto, um pouco desmotivada de tal vontade. Estou pensando um pouco como Vinícius de Morais e ando exigindo menos dos outros o que, às vezes, nem podem me dar, não interpreto mais um “fim” como motivo de dor mas sim como uma possibilidade de me surpreender e me tornar uma pessoa melhor e, quem sabe – prefiro acreditar nisso – mais feliz.

Para que sustentar uma relação, seja ela qual for, em que só existem mágoas, cobranças, se as pessoas não se entendem, não confiam mais umas nas outras?! Entendo que cada um tenha sua beleza, seu diferencial, e que existam, inclusive, aquelas que façam você ter vontade de viver a vida toda ao lado mas, se as coisas não dão mais certo, não faz sentido insistir. Querer continuar insistentemente pode ocasionar uma ruptura na amizade, na consideração, no carinho, no respeito e aí já começa a ser um ato impensado e até, porque não, burro.

Vinícius teve antes de 9 mulheres, 9 amigas e isso pra mim é admirável. Continuar uma relação para mostrar pra sociedade que ela ainda existe, não vale a pena, não completa ninguém. O que vale é a felicidade, no caso, de ambos. Se o amor acabou que venha a saudade e a deliciosa lembrança dos bons momentos, é isso que vale, é isso que a gente leva da vida. Não são os contratos sociais, os patrimônios e a opinião dos outros – que convenhamos, não tem o que fazer e ficam cuidando da vida alheia invés de se ocupar com os próprios problemas.

Preciso então, usar um neologismo e dizer que estou um pouco “Viniciniana” e faço das palavras dele as minhas:

” Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

As convicções estragam os sentimentos verdadeiros... Acredite na eternidade, mas se ela não vier, o amor acabar, a relação não der certo, acredite com muito mais fervor na imortalidade dos sentimentos que vai adquirir ao acabar um relacionamento sem brigas, ódio, sem rancor, sem traição, sem mal caratismo...

E pra terminar um pequeno trecho de profunda identificação:

"Vinicius, já encantado por ela, aproveita para se aproximar:

- O que está havendo contigo, menina? - pergunta numa intromissão repentina nas divagações da moça. Tem que ouvir a resposta que mais desejaria ouvir, mas que menos poderia esperar:

- Não sei bem, ela diz - mas acho que estou apaixonada por você".

(págs. 237-8 de Vinicius de Moraes: o poeta da paixão — uma biografia, de José Castello (Companhia das Letras, 1994).

domingo, 23 de maio de 2010

De uma resenha com a preta

Descobri que é verdade que ninguém fica só. Por mais complexas e confusas que as pessoas e os fatos sejam, tudo sempre se encaixa em algo, e mesmo sendo anacrônico, mesmo que pareça impossível, tudo, uma hora, sempre faz sentido. Não pode é se desesperar quando parece que simplesmente é inútil ser verdadeira, amiga, intensa, parceira, incapaz de magoar alguém, de fazer mal a uma mosca sequer. Não deve se desesperar quando as pessoas mais erradas sobem com louvor ao altar de véu e grinalda e tem direito a festa, valsa, arroz, doces e quitutes. Nada disso importa porque isso não é prova de nada, já que essas pessoas em 99% dos casos não vão conhecer o que é felicidade no seu extremo. Vão saber sim o que é felicidade iludida por interesses não saudáveis e facilmente compráveis, o que não deixa de ser felicidade, mas não é uma felicidade gostosa de ter e nem a que pessoas lindas por dentro merecem. Muitos que chegaram nessa parte da leitura,devem estar pensando que realmente achar que compromisso e casamento não têm um quê de interesse por trás é estar sustentando uma ilusão. E, quer saber de uma coisa?! Eu também acho. Sempre existe interesse pela beleza, pelo corpo, pelo dinheiro, pelo nível de instrução... Oras, temos uma sociedade com seus valores culturais, isso pode ser motivo de interesse imediato sim – e, na grande maioria das vezes é – mas isso não pode predominar sobre a valorização do caráter, da honestidade e, acima de qualquer coisa, da verdade. As pessoas são o que querem quando precisam e se iludem achando que podem sustentar isso por uma vida. Fazer sexo por fazer, beijar por beijar, estar com uma pessoa do lado que não te acrescenta em nada - foi apenas um alvo fácil e de boa aparência que alguém encontrou pra se exibir por aí – Me poupe, mas isso é quase uma prostituição. E, a menos que a pessoa aprenda a gostar da outra – menor probabilidade- ela estará fadada a uma relação de farsa pelo resto da vida. Terceirização de carinhos, declarações que se fazem por meio de presentes caros e pomposos, atenção que se dá por meio de um motorista 24 horas ou orgulho de ter uma mulher apenas bonita – no caso dos homens mesmo, já que geralmente ELES que fazem isso – pra mostrar pra sociedade ao mesmo tempo em que tem um monte de putas na rua enquanto a boneca merecidamente – já que também foi culpada por se submeter a isso- é entupida de AIDS a cada relação sem camisinha que tem com o suposto “mecenas”, são coisas que, sinceramente não me fazem inveja e não deveria fazer a mulher alguma.
Portanto, é preciso ter paciência e acreditar que existem pessoas que te merecem por aí. Não adianta se revoltar se, por acaso, você, por vários motivos comprovados, é mulher pra casar e está literalmente ENCALHADA...
Eu garanto que o problema não está em você. Está no fato de você ser verdadeira demais, em você saber a espécie de mulher que é e não se prestar a ficar com qualquer vagabundo de cara limpa que queira namorar com você, simplesmente por namorar.
Parece que você é racional demais, exigente demais... Enquanto, na verdade, é o contrário... Ouve seu coração demais e sabe que não é isso que quer, embora seja o mais fácil, o mais simples. Namorar, casar, não é só o acordo que se quer, e sim a verdadeira essência e o espírito disso.

Falando um pouco de mim

Não sei se é uma visão de quem tá ficando velha, mas tenho sido menos exigente comigo, com os fatos, com o mundo, com as pessoas. Tenho conseguido me estressar menos, aliás, bem menos. Só me tira do sério quem eu gosto – e gosto muito. E assim vou vivendo me orgulhando de ser simplesmente como eu sou, de ter os amigos que tenho – por mais que sejam poucos – e dos pais que, apesar dos pesares, são maravilhosos. Tenho ficado menos triste e mais feliz por conseqüência. E sempre quando sinto que a tristeza vai me pegar penso nas coisas boas que tenho e que não tenho também, mas posso conquistar. Tenho me preenchido com exemplos, com tudo aquilo que não se sabe explicar de onde veio, mas que existem tão lindamente. Ficaria vinte e quatro horas olhando o mar sem sentir, olhando pro céu e tentando contar suas incontáveis estrelas para chegar milhões de vezes a mesma conclusão do quanto o antropocentrismo é falho e burro diante da imensidão do céu e do mar – é meio meloso, mas é verdade! Ficaria uma tarde inteira brincando com uma criança ou sentada fazendo carinho em Tux. Não estou precisando mais de tantas coisas, sentar numa mesa de bar, com álcool ou sem álcool – mas com álcool é melhor- e ficar conversando com meus amigos já me traz uma alegria que é insubstituível, que não trocaria por nenhuma outra. Tenho estado mais serena, querendo dominar um pouco menos as coisas. Ando fazendo a minha parte, plantando amor, colhendo o amor que um dia plantei...
Ando meio idosa, orgulhosa dos netos que não tenho, da família que não construí, do patrimônio que inexiste, ando meio pirralha querendo descobrir novas coisas, me impressionando com coisas simples como o miado de um gato – tá, também não é pra tanto, mas é quase isso – e ando meio adolescente/adulta cheia de vontade, sonhos e principalmente garra e força de vontade pra vencer. Ando menos cheia de frescura, ando mais determinada das coisas que quero, crente do que preciso... Mas, principalmente, ando deixando a felicidade me pegar de jeito em todas as oportunidades em que ela se apresenta... Claro, sem que minha felicidade custe a tristeza de ninguém, já que não conseguiria ser feliz assim.
Tenho estado plena... Ando vivendo sutil e delicadamente como o dançar de uma bailaria.

O mundo de dentro é maior do que o mundo lá de fora!

Sensibilidade a sons, formas, texturas, cores,cheiros... O mundo que se cultiva dentro de um “eu” é o mundo que só faz sentido se visto sob uma ótica detalhada e minuciosa. Cada coisinha constrói, pouco a pouco, um mundo que custa e resiste a ser destruído pelos efeitos inevitáveis do tempo e das mudanças trazidas pelo próprio. Não somente as pessoas mas as próprias coisas, a própria energia que se transmite por um único pensamento, se encarregam de te remeter a alguém, a alguma coisa... O engraçado hoje é que as pessoas fogem, o tempo inteiro, do entendimento de si mesmas e do outro e acreditam –realmente acreditam- que podem ter uma segurança em ter alguém recorrendo a aspectos tão fúteis ou, até mesmo, seguindo supostas regras, normas de condutas, livros de auto-ajuda, coisas do gênero...
É cíclico, não se conhecem e, por isso, nunca poderão conhecer o outro. Quantos são os poréns, os motivos que levam cada um a fazer uma coisa, a história de vida, fatos que interferem em toda uma construção de personalidade e refletem no comportamento de cada um. Há quem acredite que é perda de tempo se conhecer ou tentar o fazer. Eu já acredito que as coisas perdem a beleza quando a pessoa não sabe quem é, o que quer e não tenta descobrir o porque de estar aqui nesse mundão de Deus... E acredite, isso já é um começo para o auto-conhecimento.
Cada coisa tem muito de ponto de vista. Ou você se entrega a uma mera visão padronizada e previsível de tudo e todos ou você mete a mão na massa e tenta entender e participar do universo do outro para, aí então, poder julgar. Não faço apologia ao entendimento exacerbado já que saber demais também é prejudicial, mas sim a verdadeira vontade de conhecer as pessoas com quem está do lado, conhecer o âmago delas, não viver de suposições. Na vida a pessoa sempre tem opções várias, e em todas as situações, mesmo nas mais tristes e catastróficas você pode ver luz se quiser: Uma possibilidade de aprendizagem talvez, uma chance de cair pra se erguer mais forte.
Nada é perfeito, não existiria a felicidade se não houvesse a tristeza. Tudo é muito mais do pode parecer, navegar dentro de si mesmo também é preciso, desbravar os sete mares por mais tenebroso e arriscado que possa parecer. As coisas fazem mais sentido, e se corta pela raiz a idéia de que “todo homem é igual”, “mulher é tudo a mesma coisa, só muda de endereço” já que todos sabemos que não é assim como disse um amigo meu: Se homem é tudo igual, porque mulher escolhe tanto?! Então, deixemos de lado a preguiça, vamos viver de substância, de intensidade, de verdade, vamos nos estressar com o que verdadeiramente importa já que não há tempo a ser perdido. Abra a cabeça!

O mundo é grande e curioso?


Nós somos muito mais.