
Agora virou moda entregar tudo de bandeja. Foi-se o tempo em que a faca e o queijo eram juntos símbolos de facilidade, hoje todos querem muito mais que isso – e, acreditem, encontram quem dê. Há uns anos atrás –época que eu era uma adolescente toda revoltadinha por sinal – já tinha reparado que as pessoas estavam banalizando tudo e que estavam “escancarando” os fatos e os atos demais, mas hoje – sem comparação - isso está muito mais evidente. O que me preocupa é essa tendência absurda de perder o pudor excessivamente que tende piorar a cada dia. Fico tentando pensar em como será a geração dos meus filhos e, sinceramente, desisto logo de início. O modo como os anos caminham não me faz pensar em nada muito promissor, nada que se encaixe muito na minha cabeça que futuramente vai parecer ultra mega power advanced plus arcaica e obsoleta. Em pensar que eu já melhorei tanto, já decidi levar as coisas menos a “ferro e fogo” em tantos aspectos e ainda continuo incomodada com certas coisas que, pra mim, não fazem sentido existir. Não sei pra que tanto apelo sexual na televisão, nas músicas, nas danças, coisas que se vêem por aí a qualquer horário, em qualquer lugar e que inclusive, muitas vezes, são incentivados nos castos ambientes familiares. A libido, o desejo sexual, hoje é visto despertado nas tribos de crianças que, ao invés, de fazerem pseudo-putarias tentando imitar as “tias” da novela e ao “ralarem a tcheca no chão”, deveriam estar brincando. Às vezes, agradeço por ser de uma geração que pegou o É o Tchan com suas metáforas um pouco mais bem feitas (não quero dizer melhores, apesar de ter gostado) que conseguiam enganar as crianças (falo isso, porque eu, pelo menos, não entendia nenhum duplo sentido) que desciam na boquinha da garrafa com total inocência.
E ainda bem que cresci e, aos 18 anos, livre para fazer o que quiser – inclusive, verdadeiras putarias de “gente grande” , danço ao som de todos os pagodes baixo-astrais da nossa ilustríssima Salvador, apelo pro arrocha, “arranho” no funk, e porque não, pra melhorar um pouco a situação do parágrafo, um forró. Mas isso não importa porque agora sou uma adulta, tenho uma cabeça formada, tenho a consciência de vulgaridade, de exposição da minha imagem, tenho a responsabilidade de ter uma reputação a zelar, coisas que, convenhamos, crianças – incluindo os pré-adolescentes que se acham os donos próprio nariz - não se preocupam.
Sou liberal em comparação a algumas mentes que conheço, e, de certa forma, escolhi o ser e considero isso um ato corajoso. Não me preocupo pois, ao mesmo tempo que me permiti brincar mais com as coisas, cresci e amadureci simultaneamente então isso não foi um fator que me estagnasse ou diminuísse. Mas, pra pessoas com menos experiência, isso, em muitos casos, detonam o “passo a passo” que acredito que tenha de fazer parte da vida de cada um. Eu mesma, nessa idade já avantajada, vejo isso com frequencia nas atitudes de meus contemporâneos. NINGUÉM, eu disse NINGUÉM, quer mais nada que imponha dificuldade, nem que seja um pouquinho dela. Quando encontram uma mulher que tenta se preservar, preservar seu corpo, começam logo com falsas ilusões, tentam segurar a vontade de tê-la em algumas ficadas mas, se vê que a coisa realmente pode exigir um pouco mais de engenharia –em outro nome TRABALHO - desistem mesmo antes até de conhecer a pessoa direito. Está virando cultura ser fácil, ser simples demais, ser óbvio demais, como uma piada que de tão CLARA fica SEM GRAÇA. Não se quer mais descobrir o universo do outro, ninguém quer seguir a trilha de cada um, todos querem um atalho. E, na neura do tempo, acabam esquecendo, que se encontrarem o “feeling”, as respostas todas, a chave mestra, tudo pode ser rápido e, com certeza, não menos mágico e gratificante do que se demorasse uma década.
Tempo cronológico nem sempre, é sinônimo de segurança, de amor. É sempre o tempo de cada um que prevalece, o tempo em que você tem o poder de, a partir de situações, experiências, acelerar se quiser, ou não. Parece que as pessoas esqueceram esse tempo e a influencia que tem sobre ele porque elas estão tão preocupadas com o as horas, os minutos e os segundos, que se esquecem de viver um pouco o mundo do companheiro e não conseguem substituir o lado ansioso pelo pensamento de como driblar a complexidade do corpo e da mente humana.
O engraçado mesmo, é ver as pessoas se orgulharem de tão pouco ao sair por aí esbanjando autoconfiança ao confessar quantas mulheres teve no final de semana anterior. Pelo amor de Deus, você acha que elas fizeram isso só com você?! E pelo amor de Deus – de novo – quais dela você, por acaso, precisou, de fato, conquistar?! Não digo que não seja encorajador você ter um número x de mulheres ou homens numa mesma festa mas daí a você se vangloriar por algo que qualquer pessoa com uma roupa bonita, alguns trocados do lanches, economizados diariamente, no bolso, conseguiria... É complicado.
É realmente complicado como fulanos e beltranos se completam com tão pouco e por isso que vejo tanta perda de oportunidade se dando por aí. Não que tudo tenha que dar em casamento ou namoro –não, não é isso mesmo- mas sim a perda de oportunidades de viver coisas que não só alimentem o corpo mas também a alma e o espírito.
Poucos e poucas hoje sabem ser sensuais sem serem vulgares. Ou não se explicita nada, ou se explicita tudo, o tempo todo, fala-se em safadeza – safadeza no sentido não pejorativo, vale frisar - a toda hora como auto-afirmação. Sexo não é pra ser falado – a menos que você seja um autor de conto erótico e ganhe por isso – e sim pra ser vivido e desempenhado dentro das famosas quatro paredes- sejam elas reais ou imaginárias- onde ninguém esteja vendo já que é algo que diz respeito a dois, que, como dizem por aí, são “um” naquele momento.
Vamos parar de falar e procurar fazer, de querer o pouco, o fácil e o simples o tempo inteiro. Instalou-se a ditadura do menor esforço e estão esquecendo como é bom conquistar algo que, no início, parecia impossível conseguir.
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