Não sei se é uma visão de quem tá ficando velha, mas tenho sido menos exigente comigo, com os fatos, com o mundo, com as pessoas. Tenho conseguido me estressar menos, aliás, bem menos. Só me tira do sério quem eu gosto – e gosto muito. E assim vou vivendo me orgulhando de ser simplesmente como eu sou, de ter os amigos que tenho – por mais que sejam poucos – e dos pais que, apesar dos pesares, são maravilhosos. Tenho ficado menos triste e mais feliz por conseqüência. E sempre quando sinto que a tristeza vai me pegar penso nas coisas boas que tenho e que não tenho também, mas posso conquistar. Tenho me preenchido com exemplos, com tudo aquilo que não se sabe explicar de onde veio, mas que existem tão lindamente. Ficaria vinte e quatro horas olhando o mar sem sentir, olhando pro céu e tentando contar suas incontáveis estrelas para chegar milhões de vezes a mesma conclusão do quanto o antropocentrismo é falho e burro diante da imensidão do céu e do mar – é meio meloso, mas é verdade! Ficaria uma tarde inteira brincando com uma criança ou sentada fazendo carinho em Tux. Não estou precisando mais de tantas coisas, sentar numa mesa de bar, com álcool ou sem álcool – mas com álcool é melhor- e ficar conversando com meus amigos já me traz uma alegria que é insubstituível, que não trocaria por nenhuma outra. Tenho estado mais serena, querendo dominar um pouco menos as coisas. Ando fazendo a minha parte, plantando amor, colhendo o amor que um dia plantei... Ando meio idosa, orgulhosa dos netos que não tenho, da família que não construí, do patrimônio que inexiste, ando meio pirralha querendo descobrir novas coisas, me impressionando com coisas simples como o miado de um gato – tá, também não é pra tanto, mas é quase isso – e ando meio adolescente/adulta cheia de vontade, sonhos e principalmente garra e força de vontade pra vencer. Ando menos cheia de frescura, ando mais determinada das coisas que quero, crente do que preciso... Mas, principalmente, ando deixando a felicidade me pegar de jeito em todas as oportunidades em que ela se apresenta... Claro, sem que minha felicidade custe a tristeza de ninguém, já que não conseguiria ser feliz assim.
Tenho estado plena... Ando vivendo sutil e delicadamente como o dançar de uma bailaria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário