Me descobri chorando e, como sempre faço, sentei para conversar comigo mesma. Eu lembrava da ultima vez de tantas vezes que tinha me visto assim. Parecia uma criança de rua, em meio a chuva, com frio, com fome e sem saber qual seria o dia de amanhã. Eu estava me sentindo desprotegida mais uma vez, reflexo de uma carência que sempre senti, de uma vontade que fica, a cada dia, mais difícil de ser adiada. Depois de mais uma vez ter me decepcionado eu via mais uma daquelas lágrimas que mais pareciam apelos de tão sinceras que eram, oriundas de um sentimento tão profundo. Não tinha nada que ser dito, me abracei, me fiz carinho e tentei explicar, pra mim mesma, que se o príncipe virou sapo mais uma vez, se o sonho virou pó, se a esperança de ter encontrado algo diferente se desfez e se o alicerce não cumpriu seu dever quando deveria, era porque não tinha que ser. Expliquei pra mim mesma que se eu mesma podia ser coerente com tudo, ser honesta e sincera, porque um outro alguém não seria?! Fiquei alguns minutos calada esperando eu mesma digerir todas aquelas reflexões, até eu rir. Me vi rindo, entendendo que a vida é isso, que a vida é a arte do encontro... E desejei pra mim mesma, “espero que dentre tantos sapos você encontre o seu príncipe ( tá certo que ele não será o mais perfeito, até porque ninguém é perfeito) mas será o seu príncipe pois só NÓS sabemos o quanto você merece isso”.
“E, hoje em dia, como é que se diz eu te amo? (...) Vamos fazer um filme?” Legião Urbana
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